Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida – como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama
e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos;
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
Maria do Rosário Pedreira
Que bonito... ;-)
ResponderEliminarPois é... ;)
ResponderEliminarQue engraçado!
ResponderEliminarEste poema da Maria do Rosário lembra-me um conto(ou talvez seja uma poesia em forma de prosa) que escrevi sobre a partida de Eneias. Ou melhor, o que eu escrevi era sobre o despertar de Dido que, ainda não sabendo da partida do amante, o achava estranhamente ausente, profetizando a sua solidão na escuridão do quarto e, mais precisamente, no leito abandonado.
Obrigada,Clio, por me dares a conhecer... gosto muito dos 3 últimos versos...
Talvez ainda possa melhorar a minha história...